BASTIDORES DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO NO STF EXPÕEM SILÊNCIO SOBRE O ESTADO DO TAPAJÓS
Brasília (DF), quarta-feira, 10 de junho de 2026
A audiência de conciliação entre os estados do Pará e Mato Grosso realizada nesta quarta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) reuniu governadores, parlamentares, procuradores e diversas lideranças políticas para discutir a disputa territorial envolvendo áreas dos municípios de Novo Progresso e Jacareacanga.
Durante toda a manhã, representantes dos dois estados apresentaram seus argumentos perante a Corte. O debate girou principalmente em torno dos impactos administrativos, econômicos e dos serviços públicos prestados à população da região em disputa.
A expectativa para a etapa da tarde é que as equipes jurídicas avancem em possíveis entendimentos institucionais, buscando soluções que evitem prejuízos administrativos entre os dois estados.
Entretanto, um dos temas mais importantes para a população do oeste do Pará permaneceu fora do centro das discussões: o direito do povo do Tapajós decidir seu próprio futuro.
Presente na audiência, tentei conversar com a governadora do Pará, Hana Ghassan, e também com o ex-governador Helder Barbalho, atual pré-candidato ao Senado Federal. A pergunta era simples e direta:
Eles são favoráveis ou não a um novo plebiscito para que a população diretamente interessada possa decidir sobre o Estado do Tapajós?
Não houve disposição para debater o assunto.
Após o encerramento da sessão pública, diversas autoridades participaram de entrevistas e registros para a imprensa. Foi nesse momento que ouvi uma manifestação da ex-primeira-dama Daniela Barbalho afirmando que o grupo político do governo não abre mão "nem das terras nem do povo".
A declaração chama atenção porque o debate não deveria ser sobre quem abre mão de territórios ou pessoas. O debate deveria ser sobre democracia.
Os moradores do Tapajós não pertencem a nenhum grupo político. Não pertencem a nenhuma família. Não pertencem a nenhum governo.
Pertencem apenas a si mesmos e à soberania popular garantida pela Constituição.
O que mais impressionou durante a audiência foi a ausência de posicionamento público de várias lideranças políticas do oeste do Pará. Muitos afirmam apoiar a criação do Estado do Tapajós nos bastidores, mas permanecem em silêncio quando surge a oportunidade de defender publicamente a causa.
Enquanto Mato Grosso e Pará discutem territórios, serviços públicos e compensações administrativas, a principal pergunta continua sem resposta:
Por que existe tanta resistência em ouvir novamente a população do Tapajós?
Em 2011, mais de 1,2 milhão de votos favoráveis à criação do Estado do Tapajós foram registrados na região. Desde então, o sentimento de abandono político permanece vivo em dezenas de municípios do oeste paraense.
Por isso, as eleições de 2026 terão um significado especial para o movimento. Mais do que uma disputa eleitoral, serão também um teste da força popular daqueles que defendem o direito do Tapajós decidir seu próprio destino.
A democracia não deve ter medo das urnas.
Quem acredita no povo não teme um plebiscito.
Movimento Emancipalista Brasileiro @emancipalismo